quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um ano de estilo de vida mais saudável: o que mudei na minha alimentação?



Faz hoje um ano que mudei a minha alimentação, bem para ser sincera não foi só a alimentação, foi o meu estilo de vida. Mas hoje vou falar da alimentação.


Como era antes da alteração?


Antes de fazer esta mudança a minha preocupação era fazer refeições baratas e ao gosto cá de casa.
  • Já lá vai o tempo em que pensava que o Bongo era adequado para crianças, afinal até vinha numa embalagem com bonecos, certo... Não podia andar mais longe da verdade.
  • Já lá vai o tempo em que a 6ª feira ao jantar era a noite dos hambúrgueres com batatas fritas e coca-cola, afinal merecíamos após uma semana de trabalho stressante e frustrante (e outros -antes).
  • Já lá vai o tempo em que tinha um dia de portar mal e comia um bolo depois do almoço, para compensar manhãs de trabalho difíceis, até que esse dia já eram todos os dias da semana e se calhar havia um dia ou outro em que não comia o dito bolo a seguir ao almoço... afinal havia poucas manhãs de trabalho que não fossem difíceis.
  • Já lá vai o tempo em que nem sequer olhava para os ingredientes do que punha no carrinho de supermercado e apenas me preocupava com os preços.



Porque decidi alterar a minha alimentação?


Ao começar a estudar várias coisas sobre alimentação e a experimentar receitas mais saudáveis, o que me fez tomar a decisão de mudar efectivamente a minha alimentação foi um livro para deixar de ter enxaquecas "Enxaqueca - Finalmente Uma Saída, Dr. Alexandre Feldman".

Vou falar então um pouco sobre as minhas antigas crises de enxaqueca, para compreenderem melhor o que me fez avançar para um estilo de vida mais saudável.

Eu tive enxaquecas desde a escola primária, nessa altura as crises eram pouco intensas e apenas provocadas quando comia certos alimentos. 
Mas essas crises foram-se agravando após a adolescência e há 2 anos atrás atingiram o pico máximo, cheguei a ter enxaquecas durante 3 dias seguidos, que não passavam com medicamento nenhum e andava tipo zombie, só queria estar deitada no escuro, sem ouvir, nem cheirar nada. O meu estômago ficava todo embrulhado e muitas das vezes não conseguia que ficasse nada lá dentro, nem uma simples sopa.

Durante estes anos recorri a ajuda externa: medicina tradicional, homeopatia, naturopatia... até cheguei a usar óculos com lentes prismáticas, porque um médico me disse que as minhas enxaquecas se deviam a um problema de postura... uma "granda" tanga, foi o que foi.
De todas as tentativas que fiz, o que aligeirou um pouco as crises foram os tratamentos de homeopatia e naturopatia, mas não atingi o meu objectivo que era deixar de ter as ditas crises.

Assim, o ano passado, no meio de uma crise valente, em que ao segundo dia só me apetecia arrancar o lado direito da cabeça para não doer, resolvi que tinha de encontrar uma solução. Após várias pesquisas encontrei referências do livro e do trabalho do Dr. Alexandre Feldman, um médico que tem uma clínica em São Paulo, especializada em enxaquecas.
Decidi comprar o livro, afinal já tinha tentado tanta coisa, mal não ia fazer.

É um livro não só para quem tem enxaquecas mas para todos os que querem levar uma vida mais saudável. As crises estão muito bem explicadas, o motivo das crises também e por fim a solução é simples e depende apenas de nós. Sem medicamentos, tratamentos... Basta alterarmos o nosso estilo de vida em termos de alimentação, exercício e sono, é por isso que é para todos e não só para quem sofre de enxaqueca.


O que mudou na minha alimentação?


Os primeiros 3 meses, foram os mais restritivos, pois requeriam uma "limpeza" do nível de açúcar no sangue e restabelecimento do equilíbrio hormonal.

Deixei de comer e beber:
  • alimentos processados (tostas, refrigerantes, basicamente 90% do que se vende nos supermercados...)
  • leite de vaca
  • enchidos e fumeiros
  • estimulantes (café, chá preto ou verde, guaraná, chocolate...)
  • sumos
  • açúcar e adoçantes de todos os tipos
  • mel
  • a maioria dos pães
  • massas e farinhas refinadas
  • farináceos
  • alimentos muito gordurosos e fritos
  • óleos vegetais (excepto o óleo de coco e azeite extra-virgem)
  • margarina
  • gordura vegetal hidrogenada
  • carnes bancas (só se fossem "caseiras", sem antibióticos nem hormonas)
  • marisco
  • aditivos artificiais (corantes, conservantes...)
  • enlatados prontos a comer
  • alimentos com índice glicémico muito elevado

E passei a comer e beber mais:
  • Derivados fermentados do leite (iogurtes, requeijão e queijo fresco)
  • Leites vegetais
  • Pães tipo alemão
  • Azeite extra-virgem e óleo de coco extra-virgem (moderado)
  • Frutas
  • Frutos secos (moderado)
  • Verduras
  • Ervas aromáticas
  • Sementes
  • Carne de animais de grande porte (moderado)
  • Peixe
  • Ovos
  • Legumes
  • Cereais integrais (arroz, aveia, gérmen de trigo...)
  • Leguminosas
  • Temperos naturais


O que mudou em mim?


O que mais me custou foi deixar de comer para me compensar e passar a comer para me alimentar. Vi que comia compulsivamente quando estava nervosa e ansiosa e tive de aprender a viver sem açúcar. Sim essa foi a parte difícil, dar-me conta que era mesmo viciada em doces. No primeiro mês andei tão rabugenta que nem me aturava a mim própria. Mas à medida que o corpo se foi habituando à nova alimentação, deixei de ter essa necessidade urgente e frequente de doces.

Aprendi a ler os rótulos de tudo o que compro. Quando olhei para o rótulo do pacote do Bongo até me ia dando uma coisinha má no meio do Pingo Doce, ao me dar conta da quantidade de açúcar só num pacotinho.

Passei a dar preferência à relação preço/qualidade.

A minha alimentação passou a ter mais produtos naturais e comecei a introduzir mais receitas vegetarianas.

Conclusão:

  • Deixei de ter enxaquecas ao fim de 2 meses
  • Deixei de ter acne constantemente e a minha pele está mais saudável
  • Deixei de ter digestões "difíceis" e azia e sinto-me sempre leve
  • Deixei de comer emocionalmente
  • Passei a ter um paladar mais apurado


Actualmente (passado um ano)?


A minha alimentação base continuou aqueles parâmetros, mas quando vou a festas, celebrações em família ou até comer fora, não me privo e como o que tenho vontade, tento que seja sem culpa (mas ainda ando a trabalhar essa parte...da culpa).

Se fizer tudo certinho, não tenho enxaquecas, mas se nesse mês abusar, tenho uma dor de cabeça que passa com um Ben-u-Ron ou com um chá de pimenta. 
Ao longo deste último ano, tive apenas duas crises mais fortes, que aconteceram depois das férias, em que abusei à grande durante duas semanas.

Percebi que este estilo de vida é um processo ou uma prática, ou seja, não é uma coisa estática. Cada dia é diferente e temos de tomar decisões que sejam benéficas. Ainda há bastantes coisas que quero pôr em prática, mas gradualmente, com o tempo hei-de conseguir.

Tento encontrar um equilíbrio e não ficar demasiado obcecada com a alimentação, o sono e o exercício. Afinal um estilo de vida saudável é para nos sentirmos bem e não presos e obcecados. 
Não sou adepta de extremismos, acho que cada um tem que levar um estilo de vida adequado a si mesmo e não a modas de dietas, de exercícios e por aí fora.

Neste último ano andei a apurar o meu estilo de vida e sinto-me bastante satisfeita com os resultados e orgulhosa da minha força de vontade!

Fontes:
Feldman A (2005) Enxaqueca - Finalmente uma saída. Editora Livros do Brasil, Lisboa. 244 pp.


2 comentários:

  1. Deixar o açucar é bastante difícil... logo eu que "engulo" bolos lol xD help me!! XD

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    1. Pois essa é uma das partes difíceis, mas compensa. Agora quando como fruta parece que estou a comer uma sobremesa, porque sinto mais os sabores.
      Tenta começar devagar, até atingires os teus objectivos.
      Boa sorte!

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